Roda de conversa fortalece o debate sobre o combate à violência contra a mulher na Justiça Federal em Alagoas
Psicólogas atenderam ao convite da JFAL para conduzir a roda de conversa dentro da programação do Dia da Mulher
Crédito da foto: Secom JFAL
O combate e a prevenção à violência contra a mulher foram o tema da roda de conversa promovida nesta terça-feira, 10, na Justiça Federal em Alagoas (JFAL). Magistradas, servidoras, estagiárias e terceirizadas prestigiaram a iniciativa, promovida pelo setor de Qualidade de Vida da instituição. O diálogo, conduzido pelas psicólogas Theresa Wanderley, Thallyta Caroline e Raquel Covatti, também contou com a participação das juízas federais Aline Soares Lucena Carnaúba e Flávia Hora Oliveira de Mendonça.
Para a juíza federal Aline Carnaúba, a relevância do momento e a reflexão que a atividade convida a todos é de grande importância, daí a necessidade da roda de conversa. “Ainda hoje, a mulher enfrenta desafios que são os mesmos do passado. E atinge a todas. O fato de termos um pouco mais de poder, quando estamos nessa posição [de magistrada], não nos blinda e não nos imuniza dessas situações que enfrentamos”, avalia a magistrada.
As juízas federais Flávia Hora e Aline Soares Carnaúba prestigiaram o encontro realizado no Laboratório de Inovação da JFAL
Crédito da foto: Secom JFAL
As palestrantes abordaram o histórico de luta e direitos conquistados pelas mulheres ao longo dos anos no Brasil, além das características e impactos dos principais tipos de violência de gênero, sobretudo sexual, física, psicológica, patrimonial e moral. E destacaram o papel das redes de proteção na busca por auxílio, como a Central de Atendimento à Mulher, através do número 180, e a Casa da Mulher Alagoana.
Outro aspecto abordado na roda de conversa realizada no Laboratório de Inovação (iLab) da JFAL foi o compartilhamento de vivências das mulheres frente às pressões no ambiente de trabalho, enquanto precisam lidar com as responsabilidades familiares, e as implicações dessa rotina exaustiva na saúde mental feminina, como enfatiza a psicóloga Theresa Wanderley. “É muito interessante esse momento, para que esse tema da violência doméstica saia dos bastidores e venha abrir uma reflexão, pois só a partir daí vem a mudança”, considera ela.
A iniciativa também contou com a participação de servidoras, estagiárias e terceirizadas
Crédito da foto: Secom JFAL
A psicóloga Raquel Covatti, outra convidada para o momento de diálogo, disse que a roda de conversa é uma oportunidade de solidificar a luta. “Nós evoluímos bastante, com legislação específica, mas é preciso sempre reforçar a constante luta feminina em todos os cenários da sociedade”, resume. Thallyta Caroline, também psicóloga convidada para o encontro, destaca a importância do acesso à informação no combate aos casos de violência. “A violência contra a mulher sempre existiu. Só que hoje temos o acesso na palma da nossa mão. A informação chega de fato. Então, é importante discutirmos”, finalizou.
A diretora de Secretaria da 4° Vara e integrante do Grupo de Apoio e Assistência às Magistradas e Servidoras (GAMS) da JFAL , Elisa Carvalho, destacou o caráter elucidativo da roda de conversa, de modo que as mulheres possam reconhecer quando estejam inseridas num contexto de violência e evitem o prolongamento da situação. “Trazer o tema da violência contra a mulher ao debate é sempre muito importante para que as mulheres tomem consciência sobre o que acontece com elas e saibam nomear situações que tragam prejuízo, antes mesmo da violência física. Entenderem que um comportamento que “sempre foi assim” não autoriza sua perpetuação”, comentou.
A discussão sobre violência contra a mulher é fundamental para conscientizar, identificar formas de abuso, seja física, psicológica, patrimonial ou outras, promover o acolhimento e fortalecer a rede de enfrentamento. Além disso, contribui para o empoderamento feminino, com vistas a romper o ciclo da violência, estimula a denúncia e contribui para a geração de reflexão social e sororidade.