Exposição na Justiça Federal resgata memórias da epidemia de Zika

As memórias da epidemia de Zika, que atingiu milhares de famílias brasileiras entre 2015 e 2016, especialmente na região Nordeste, ganham espaço com a exposição “Ainda”, no prédio-sede da Justiça Federal em Alagoas (JFAL) pelas próximas duas semanas. A mostra reúne registros de crianças afetadas pela epidemia e propõe um olhar crítico sobre as marcas deixadas pelo período do vírus, presentes no cotidiano das famílias até os dias atuais.

A exposição busca evidenciar que o tempo da epidemia não terminou para quem ainda vive as suas consequências. Nas fotografias, as histórias de mães e crianças revelam experiências de cuidado, desafios, afetos e resistência.

A iniciativa também chama atenção para as desigualdades sociais e para as vulnerabilidades que marcaram a experiência das mães durante a epidemia. Muitas delas assumiram integralmente os cuidados com crianças que apresentaram consequências associadas à infecção pelo vírus Zika, enfrentando dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à assistência social, à educação e às respostas dadas pelo poder público, temas discutidos na semana que passou durante mais uma etapa do Projeto Vozes, da JFAL.

Jéssica Ribeiro, coordenadora geral da Associação Família de Anjos (AFAEAL), explica que a ideia de realizar os registros fotográficos surgiu a partir de uma iniciativa da Anis e idealizada pela professora e pesquisadora da UnB, Debora Diniz. “O responsável por fazer a sessão das fotografias foi o pessoal da Anis. A Debora Diniz apresentou para a AFAEAL e nós aprovamos o projeto. A partir disso, ela foi visitar mãe por mãe, no interior de Alagoas e também aqui em Maceió, para poder fazer o registro das imagens”, explica Jéssica. A Anis é uma organização não governamental brasileira, sem fins lucrativos e de perfil feminista, sediada em Brasília.

As fotos convidam o público a olhar para essas imagens não apenas como lembranças de uma epidemia passada, mas como testemunhos de uma realidade que ainda produz consequências. Manter essas memórias vivas significa reconhecer as trajetórias das famílias atingidas, suas lutas e conquistas, além de reafirmar a importância de políticas públicas capazes de responder às necessidades de mulheres e crianças que seguem convivendo com as consequências do vírus Zika.

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